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Coronavírus, primeiro caso confirmado no Brasil. E agora?

Catiusca Reali1

O coronavírus faz parte de uma grande família viral, conhecido desde meados dos anos 1960, que causa infecções respiratórias em seres humanos e em animais. O novo agente do coronavírus foi descoberto em dezembro de 2019, após casos registrados na China. Ele provoca a doença chamada de coronavírus (COVID-19). Infecções por coronavírus geralmente causam doenças respiratórias leves a moderada, semelhantes a um resfriado comum. Porém, o novo coronavírus pode causar síndromes respiratórias graves.  

O Ministério da Saúde confirmou, nesta quarta-feira (26), o primeiro caso de coranavírus no Brasil. Esta foi também a primeira confirmação na América Latina. De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o paciente com Covid-19, tem 61 anos e chegou ao país vindo da Itália. Além dele, há outros 130 casos suspeitos no Brasil. Em coletiva, realizada hoje (28), o porta voz do Governo disse que há outras 213 notificações que não chegaram a ser analisadas pelos técnicos antes da elaboração do boletim.

As orientações iniciais são de que pacientes que viajaram ao exterior, principalmente onde há foco da patologia, como Ásia e mais recentemente alguns países da Europa, se dirijam aos centros de saúde de suas cidades. Mas como esses locais podem se preparar para receber os casos suspeitos?

As orientações do Ministério da Saúde, de acordo com o boletim epidemiológico:

1 – Isolamento

O paciente suspeito deve utilizar máscara cirúrgica, a partir do momento da suspeita, e se possível permanecer em quarto privativo. 
Os profissionais devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas, como máscara cirúrgica, luvas, avental e óculos de proteção. Já para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, como uso de máscara N95.

2 – Avaliação

Realizar coleta de amostras respiratórias.
Prestar primeiros cuidados de assistência.

3 – Encaminhamento

Os casos graves devem ser encaminhados a um Hospital de Referência para isolamento e tratamento.
Os casos leves devem ser acompanhados pela Atenção Primária em Saúde (APS) e instituídas medidas de precaução familiar.

O Plano de Contigência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus COVID-19, já está disponível no portal do Ministério da Saúde. Ele classifica, em caso de surto, o nível de resposta e a estrutura de comando correspondente a ser configurada, em cada nível de resposta. O plano é composto por três níveis de resposta: Alerta, Perigo Iminente e Emergência em Saúde Pública. Cada nível é baseado na avaliação do risco do novo coronavírus afetar o Brasil e seu impacto para a saúde pública.

Os sintomas para triagem de pacientes são: febre, tosse e dificuldade de respirar. O período de incubação é de 2 a 14 dias. Esses sintomas são muito comuns a outras doenças, por esse motivo, há necessidade de se realizar testes adicionais, hoje feitos pela Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Evandro Chagas e Instituto Adolfo Lutz. É possível a transmissão do vírus após o desaparecimento dos sintomas, mas a duração do período de transmissibilidade é desconhecida. Durante o período de incubação e em casos assintomáticos não há transmissão.

O tratamento para infecções pelo novo coronavírus ainda é inespecífico, há testes de novos medicamentos, sem previsão de disponibilização. Porém, um estudo realizado pela Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, na Noruega, mostra que medicamentos já existentes podem ser o tratamento ideal para pacientes que contraíram o vírus desde o início do surto, na China.

Prevenção: Lavar as mãos constantemente, evitando sempre o contato com as mucosas, como boca e olhos. Utilizar álcool 70% para limpar as mãos, antes do contato com as mucosas. Evitar multidões. Usar máscara em ambientes muito cheios ou fechados. Manter a distância de um metro de pessoas espirrando ou tossindo. Limpar com álcool objetos tocados frequentemente, tais como telefones celulares. Evitar cumprimentos com beijos ou toques de mãos.

Passe adiante as informações corretas! Cuidado com a busca de informações, busque sempre orientações em portais governamentais, como o Ministério da Saúde, selecione suas fontes, evitando assim a disseminação de informações falsas que geram pânico na população e não instruem com cuidados realmente necessários.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico – COE COVID-19 – Centro de Operações de Emergência e Saúde Pública. Publicação: 21 de fevereiro de 2020.  Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/21/2020-02-21-Boletim-Epidemiologico03.pdf

BRASIL. Ministério da Saúde. Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus COVID-19. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública | COE-COVID-19. Fev. 2020. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2020/fevereiro/13/plano-contingencia-coronavirus-COVID19.pdf

Petter I. Andersen et. Al. Discovery and development of safe-in-man broad-spectrum antiviral agentes. International Journal of Infectious Diseases. Artigo aceito em 11/02/2020. DOI:https://doi.org/10.1016/j.ijid.2020.02.018

1Doutora em Biologia (UNISINOS). Especialista em Microbiologia Clínica (UFRGS). 

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